segunda-feira, 29 de julho de 2013

Gay?

Já me questionei inúmeras vezes se eu iria para o inferno por ser homossexual. As pessoas tratam do assunto de uma maneira tão sigilosa que parece realmente que é algo que se deva esconder, que se deva ter vergonha ou cautela para expor. De fato, admito que há de se ter cautela não pelo ato em si, mas pelas pessoas. Já ouvi pessoas me falando para evitar exposição usando como argumento: Ah, as pessoas vão comentar que você é lésbica.
Ora. Mas eu sou. Não vejo problema algum em alguém falar que eu sou lésbica, porque isso é um fato: eu gosto de garotas. Eu quero casar, formar uma família, mas com uma mulher. Claro que existem outros nomes que usam com a intenção de denegrir, mas para mim, isso nada mais é do que uma variação grosseira do que eu sou. Uma pessoa dedicada ao seu trabalho pode muito bem ser chamada de psicótica (palavras da minha mãe). Mas isso não mudará o fato da pessoa ser extremamente eficiente, tudo depende de como você enxerga isso.
Já acompanhei de perto o dia-a-dia de uma família extremamente religiosa e que, é claro, condena veementemente o que eu sou. Segundo o que acompanhei nesse meio tempo, fiquei com medo de Deus. Ele aparentemente castiga e abandona seus filhos caso eles não sigam seus mandamentos. Isso me pareceu tão... Humano. Deus “se vingar”... Se Ele é tão maravilhoso, tão perfeito, misericordioso e dotado de um amor infinito por cada um de nós, por que ele nos castigaria por isso?
Castigar um filho por tirar a vida de outro, torturar, maltratar, tudo bem. Mas querer me castigar por amar uma garota? Por apenas cuidar, tratar bem, fazê-la feliz? Deus conhecendo meu coração por inteiro, sabendo que jamais fiz mal para qualquer pessoa, que apenas procurei ser uma boa filha, uma boa pessoa, uma boa namorada durante minha vida inteira, simplesmente irá me condenar ao inferno porque eu quis amar uma garota?
Quanto à convivência em sociedade, tenho alguns princípios: não preciso ficar aos beijos com minha namorada no meio do Shopping para escancarar que sou lésbica e não ligo para todos que não aprovam minha maneira de ser. Eu não faço isso porque acho feio: sendo um casal de homens, de mulheres ou até mesmo um casal hetero. Beijos de língua podem ser dados entre quatro paredes, assim como sexo pode e deve ser feito nesse local. Mas eu não preciso não segurar sua mão, abraça-la ou beijar-lhe o rosto. Porque isso não é pouca vergonha, indecente ou imoral: são apenas demonstrações de carinho.
A Bíblia diz que homossexualismo é pecado? Justo. Mas a Bíblia também diz que as mulheres devem ser submissas e obedientes ao homem, que estes não podem se barbear e inclusive, que as mulheres devem ser isoladas e sequer podem ser tocadas no período menstrual, permanecendo virgens até o casamento. Isso é desrespeitado muitas vezes, pelos próprios membros da igreja. A justificativa? As coisas precisam mudar, os pensamentos precisam evoluir. Então, deve-se desrespeitar os mandamentos de Deus apenas quando os convém.

E sou eu que vou pro inferno porque apenas quero casar e ser feliz ao lado de uma garota.


Me poupe, sociedade!
quinta-feira, 25 de julho de 2013

I got my angel now.

Virei na cama, mais uma vez. Abri os olhos. E ela estava ali, com aquela expressão doce de criança, com os olhos fechados. Um sorriso singelo brincando nos lábios, provavelmente provindo de algum sonho bom. Estendi a mão e deslizei o polegar por todo o seu rosto, tentando absorver cada detalhe dele, cada expressão, tão conhecida e familiar por mim.
Lembrei-me dos sorriso de quando ela está acordada. O sorriso jovial, infantil e ao mesmo tempo adulto, os olhos brilhando, aquela risada que é impossível não rir junto, como se a alegria passasse pra você em uma descarga elétrica.  Lembrei da expressão concentrada, com uma leve ruga na testa e um ligeiro bico, como se tentasse espremer algum significado do que está analisando. Lembrei da sua expressão de raiva, que é muito parecida com a concentrada, se diferindo apenas nas curvas das sobrancelhas, que ficam ligeiramente menos arqueadas e o bico mais proeminente, ganhando apenas um estalar nas mandíbulas – sinal de perigo quando sei que falei ou fiz algo que não devia.
Dei um sorriso. Aproximei-me mais de seu corpo, agora quente pelo sono. Ela se aninhou mais em meus braços e suspirou, como se estivesse se sentindo protegida. Deslizei os dedos pelos seus cabelos, que caíam livremente por suas costas e meu sorriso alargou. Lembrei de seus gestos, seu jeito expressivo de contar alguma história, de como todos adoram ouvi-la, a querem por perto.  Lembrei de como havia ansiado por isso, querido isso, desejado.
Soltei uma exclamação de surpresa. Percebi que sonhava com isso desde criança. Aquele rosto de anjo, aquele sorriso, aquela expressão, o jeito que os olhos ficam apertadinhos quando ela está feliz, aquela felicidade provinda das coisas mais bobas e simples da vida. A felicidade se inchou no meu peito de um modo sufocante, que fez as lágrimas preencherem meus olhos e caírem em uma velocidade espantosa. Beijei sua testa e murmurei, com a voz tremida.
— Eu amo você.


Eu percebi naquele momento que já te conhecia, meu amor. Desde que nasci. Dos meus sonhos.

 ♥ Ity

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M.
Cuiabá, Mato Grosso, Brazil
Maranhense, 23 anos, Psicóloga em formação, escritora, zumbi nas horas vagas.
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